os desafios de avaliar alunos em confinamento

Um dos principais nós que as escolas e universidades tentam desatar neste final de semestre é como avaliar os alunos sem que estejam em sala de aula. A forma mais tradicional é a realização das provas escritas, o que pode também ser feito remotamente, só que sem a garantia de que é o aluno mesmo que está respondendo as questões ou de que não está “colando”. Esta foi uma questão bastante recorrente entre os congressistas que participaram do painel Dimensão Pedagógica do webinar internacional Enfrentamento à Covid-19: Horizontes da Educação.

“A avaliação não deve necessariamente passar pela prova. A prova é um método, uma forma de aferir conhecimento, mas não é obrigatória”, opinou a professora Alenoush Soryan, diretora do Instituto Internacional de Educação e Professora do Departamento de Psicologia Educacional e de Aconselhamento na Universidade McGill, no Canadá.

Segundo Soryan, é possível e necessário que os cursos sejam concebidos priorizando a verificação do quanto os alunos estão processando a informação, sintetizando, são críticos e analíticos. “Isso não dá para fazer apenas abrindo o livro, lendo e copiando. O aluno acessa a si próprio”.
A professora se utilizou da teoria da taxonomia de Bloom – que aponta níveis aprendizagem que vão da simples lembrança à capacidade de produzir pensamento – para dizer que o momento é para as universidades “começarem a repensar e criar um novo ambiente de aprendizado”. Os cursos, disse, “devem focar os níveis mais altos da taxonomia de Bloom. O momento é de oportunidade”.

Ela citou também como opção, a realização de prova oral, pelas plataformas digitais.

O professor Jamil Salmi, PhD em Estudos do Desenvolvimento da Universidade de Sussex, na Inglaterra, comparou os desafios digitais a um “tsunami” que já vinham invadindo as praias das universidades sem ser percebido. “Muitas universidades não se deram conta do alerta de tsunami. Precisou chegar um vírus para que a previsão se tornasse realidade. De repente temos uma situação única”, disse, ao descrever que a pandemia pegou as escolas despreparadas para utilizar tecnologias que já estavam disponíveis. “Universidades tiveram que providenciar equipamentos e contratar serviços de plataformas. E as empresas fornecedoras vieram como abutres, cobrando preços altos”.

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