Volta às aulas presenciais deve ser com limpeza e distanciamento

Os principais desafios a serem enfrentados na volta às aulas presenciais dizem respeito aos aspectos sanitários. Nos países em que a reabertura já teve início, governos e instituições de ensino criaram regras para minimizar a disseminação do coronavírus no ambiente escolar.
“Uma das nossas maiores preocupações para decidir como abrir com segurança é conseguir manter tudo limpo”, disse hoje a Dra Amy McNeill, coordenadora do Departamento de Microbiologia, Imunologia e Patologia do programa de Residência Combinada da faculdade de Patologia Clínica na Universidade Estadual do Colorado, dos Estados Unidos (CSU). No primeiro dia do webinar internacional Enfrentamento à convid-19: horizontes da educação, a pesquisadora observou que será necessário a criação de uma equipe de manutenção bem preparada, com profissionais que mantenham as instalações sempre limpas. “Não sabemos, por exemplo, como será feita a limpeza entre uma aula e outra. Além disso, essa equipe terá que ter um adicional porque é um trabalho perigoso”.
A CSU se prepara para abrir as suas portas para comunidade acadêmica no dia 24 de agosto. Ainda, assim, apenas 30% das salas de aula estarão preenchidas, com uso obrigatório de máscaras. Os demais alunos continuarão em aulas virtuais, mas poderão frequentar os laboratórios.
Além de todos os cuidados adotados, a escola estimulará professores e alunos a desenvolverem atividades online.


Em sua fala, a professora salientou que seu país já apresentou o achatamento da curva do covid-19. Mas as incertezas sobre a manutenção da diminuição no número de casos permanecem. “Ainda não sabemos se a aglomeração dos protestos após o assassinato de George Floyd – muito necessários – implicará no aumento de casos. Aparentemente, não. Mas ainda é cedo para avaliar”, ponderou.
O palestrante brasileiro no webinar, Dr. Unaí Tupinambás, professor e orientador do Programa de Pós-graduação de Ciências da Saúde: Infectologia e Medicina Tropical da Faculdade de Medicina da UFMG. defendeu que o Brasil crie imediatamente o protocolo de procedimentos para a reabertura, respeitando, é claro, as condições estabelecidas pelas normas da Organização Mundial de Saúde (OMS). “Nós não temos condições de saber quando o Brasil poderá reabrir seus espaços, mas sabemos como”, salientou o professor, lembrando que já há experiências de outros países, algumas mostrando, inclusive, os riscos de crescimento no número de contágios após essa reabertura.


Entre as regras sugeridas por Tupinambás, que integra também os comitês de enfrentamento do Covid-19 da UFMG e da prefeitura de Belo Horizonte, estão os procedimentos sanitários, de limpeza constante dos espaços e equipamentos; o distanciamento de 2 metros entre alunos; a diminuição das turmas; a criação de espaços e horários compartimentados, “para evitar que as turmas se misturem”; e o revezamento de horários de entrada e saída da escola, para descongestionar as passagens de entradas e saídas da escola.

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